“Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só…”
Florbela Espanca  (via descortinar)

Você me provoca e as palavras se perdem.
É um poço de querer e não querer.
São poucos os que me entendem.
Quem entende finge não saber.

Eu busco em você aquilo que não possuo.
Sabedoria, arte, desejo.
Com você eu perco os meus medos.
Te ver é um grande festejo.

As vezes quando me encontro sozinha
Eu sinto saudades imensas.
E eu que nunca fui minha
Me perco em suas consequências.

Eu não quero mudar.
Eu só preciso te ter.
Nada pode me fazer parar
De te olhar e te querer.

Sara Oliveira (relatos-ocultos)

“Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo.”
Martha Medeiros.   (via clamam)

Meu universo é efêmero.
Sou um pequeno instante,
uma célula,
no infinito que é meu caos.

Minhas lágrimas são feitas de concreto
e encontro meu gozo
na pequena agonia de meu peito.

Tenho medo de meu ontem,
porque meu hoje é de todo complexo,
enquanto meu amanhã, não chega.

Eu sou meu próprio infinito,
meu talvez é certo,
mas, minha certeza é injusta.

Eu sou adeus
enquanto todos já são saudade.

Eu não sou infinito,
não sou eterno,
sou instante,
sou um grito de piedade.

Anarquismos.   (via bau-das-palavras)

“Não há tristezas e melancolias, nem desejos e vontades. Não há certezas, nem dúvidas. Nada grita, nada desagrada, não há desconforto. Fomos exatos e imperfeitos. Fomos muito mais que próximos. Ou nem chegamos perto. Fomos além das profundidades que superficializavam nossas incandescências. Fomos tanto, fomos tantos em tão pouco tempo. Fomos mais que instantes, fomos muito mais que amantes. Fomos amor! E se nem a brisa colore, quem somos pra julgar as nossas intempestividades? Erguemos tantos muros rabiscados pelo medo de entrar no medo de sair do medo. Nos aproximamos tanto pela tristeza encomendada que nos resumimos a encontros subcutâneos. E não é que estejamos formalmente terminados. Mas um tempo de nós acabou. Nesse fim que não tem voz, não mareja os olhos. Nesse fim que não nos impulsiona a fazer absolutamente nada. Então fiquemos por aqui. Impossível nos apagar da parede frontal da memória ou continuar tateando no escuro em busca de respostas. Você errou nos passos que te levaram a novos caminhos. Eu apostei em outros espaços que me fizeram procurar por novos rumos. Não se culpa, não me culpa, a gente não tem culpa. Fomos tanto, fomos tantos em tão pouco tempo… A vida nunca nos pretendeu eternos. Saber a hora de renunciar nunca foi abster-se. Querer parar nunca foi abrir mão. Não desistimos de nós - desatamos, apenas.”
Michael Letto. (via andejar)

“Tua ausência
é a falência
do meu ser.”
nordestiana.  (via nevou)

Eu gosto do seu cinismo, da sua atmosfera indignada,
da sua mão por baixo da minha saia rodada,
eu me aproximo e te abraço
e você se desfaz.

Eu gosto do seu corpo magro, adaptado ao balcão,
inclinado, cansado, partido ao meio, quebrado,
eu olho fundo nos seus olhos
e você se desfaz.

Eu gosto do seu jeito rude, do seu desequilíbrio mental,
do seu semblante falido, como águas caindo, mudo, enfurecido,
eu falo bem baixinho o seu nome
e você se desfaz.

Eu gosto do seu sorriso alcoolizado, gratuito às putas da cidade,
do gosto de dromazepan depois das duas da manhã,
eu me deito ao seu lado
e você se desfaz.

Eu gosto da sua pele áspera e parda, das suas palavras
postas em pilhas e ditas em um ritmo esquizofrênico,
eu te amo na cama feito bicho
e você se desfaz,

tudo isso é pura poesia baby,

tudo isso tem um pouco de loucura baby,

tudo isso tem um pouco de amor.

Elisa Bartlett (via oxigenio-dapalavra)

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